Não sei o que o Wilson tem que aquelas (malditas!) palavras que ele usa penetra a pele e circula pela corrente sanguínea até o coração.
Se conhecesse Wilson há alguns anos atrás talvez dissesse: larga essa vida de poeta, por que chega a ser um crime esses seus textos banais; e por fim completaria: que nunca passam despercebidos à ninguém.
Wilson devora todas as palavras esdrúxulas e faz soneto, verso, rima, crônica, prosa e poesia sem pedir autorização pra ninguém ou sem medir sua profundidade.
Fico puta com Wilson porque ele não está entre os 10 mais perigosos do país, mas mesmo assim consegue ser um deles. "Wilson, você é ladrão." eu disse uma vez na cara dura mesmo quando mal nos conhecíamos - nem eu a ele e nem ele a mim - mas eu sabia que Wilson era ladrão, por que eu o tinha lido uma vez e desde então pertenci a ele.
Wilson me olhou assustado com tal declaração e por fim, ponderando (como sempre fazia com todas as coisas em sua vida, menos as palavras) balançou a cabeça em concordância, acendeu o cigarro, inspirou e soltou fumaça.
Depois daquele silêncio que só compete ter as pessoas que se conhecem há uma vida ele concluiu: Posso ser o que quiser Monsieur, o que quiser.
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