Como se pudesse ser compreendida

Um pensamento acerca daquilo que finjo não saber.


Escorreu de mim lágrimas desesperadas que a muito me atormentavam o peito e, logo que aquela canção tocou, consegui suspirar aliviada sem o peso do oceano que habitava minhas entranhas. Senti  a brisa passar por dentro de mim, como se finalmente a janela daquela casa antiga e empoeirada fosse aberta e o vento entrasse como um furacão varrendo todo aquele cheiro de mofo e lençóis encardidos que protegiam os móveis. Me desesperei com o movimento do pano, com o cabelo bagunçado, com a forma que as coisas mudavam enquanto piscava meus olhos e precipitava algumas palavras. Mas ainda estava sã. Me enlouqueci no momento que tapei a boca com ambas mãos, arregalei os olhos e corri desalentada de encontro aos seus olhos e as lágrimas desesperadas caíram salgando a terra que compartilhávamos e eu peguei sua mão e indo contra minha vontade de te deixar a salvo, te pedi perdão e eu, finalmente suspirei aliviada pelo erro cometido a tempo.

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