Como se fosse restritamente meu

Me traz à tona a essência do meu escrever. Quem?

Passei em frente à lagoa que é céu, que é alma, e me lembrei de algo que bambeava meus ossos e me fazia - ardida - abrir o dicionário para procurar o sentimento sentido. Nunca encontrei a palavra que precisava, mas encontrei uma infinidade de outras que acabavam por me dar um texto mais ou menos claustrofóbico. O coração desesperado por uma saída apertava-me os dedos que apertavam a caneta que manchavam o papel de sentimentalismo de boteco de esquina.

(quem me dera fosse como filosofia de boteco de esquina)

Andava (por mais que dissesse que não) invejando as crônicas que encontrava por aí, por que a vida nunca me pareceu simples o suficiente para que eu pudesse contá-la com um toque de humor ou descaso. E logo me apegava a tudo que escreviam como se pudesse ter sido eu aquela que vivi ao menos um parágrafo de um cotidiano qualquer.

O que resultou?
Desaprendi a escrever (não que algum dia tenha aprendido de fato) e por vezes até me esqueci como se vivia sem precisar sofrer ou precipitar.

Não havia luas ou estrelas ou livros suficientes para me despertar desse sonambulismo literário. Não existiam amores para viver, esquecer e embriagar a alma de palavras sentimentaloides ou o espírito de desconfortáveis emoções.  Até que de olhos inchados e mãos fadigadas encontrei o que havia perdido.


Existe em mim algo que não há no dicionário; que parece não existir em lugar algum.

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