Como se vivesse outra vez

Mas era uma visão constrangedora: seus olhos derretidos em meus olhos e sua boca marcada na minha testa e cabelos. Ninguém viu, mas eu sei exatamente aonde estão essas marcas em mim.
Estão no fundo de um pensamento que vai se perder entre outros pensamentos antes que eu diga a mim mesma: são importantes e nunca devo esquecê-los (até que durmo e penso por Deus! o que não deveria nunca esquecer? Mas passou...).

As palavras escorrem de mim como seus olhos escorreram dos meus.

A força das suas mãos me impedindo de ir, agora, parecem me empurrar e meus pés que insistiam em ficar, agora, parecem procurar a saída e desde que seus olhos se foram as lágrimas fizeram morada. A poesia se instalou na alma doída e aos poucos a cicatrizou e a música não toca mais, por que as músicas em absurdas epifanias te colocam na minha frente e me incentivam a dizer as palavras guardadas mesmo depois que disse a mim mesma -: são perigosas e nunca devo lembrá-las (porém essas nunca me abandonaram e vez e outra resolvem me visitar e eu penso por Deus! livre-as de mim)




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