- Houve saudade na sua ausência. -
(...)
Um silêncio ensurdecedor regia o momento. Esperei pelo orgulho que me proibiria de completar a frase e vencida pelos seus olhos, disse aflita de minhas palavras:
(suspiro)
- Sonhei com você algumas vezes. -
Entreguei-as de olhos apertados, o tempo parado pesando meus ombros. Ele, cuidadosamente, se aproximou e descruzou meus braços que pendiam sob meu colo e levantou minha cabeça fazendo com que eu encarasse aquele olhar de pestanas semi-cerradas pelo sorriso de lado que trazia a paz.
Me assustei com sua calma e ele se assustou com a tempestade que se formava em mim e a deteu. Num abraço desesperado, mais que qualquer palavra que ele dissesse, eu tive vontade de ficar. Pela primeira vez, não tive vergonha das lágrimas que saiam aliviando o peso da alma.
- Há de ser amor, morena? Saudade, há de ser amor? -
Não respondi, ainda me concentrava no seu cheio fougère fresco. Beijou-me a testa e envaidecida no momento, por um instante esqueci: não fui feita pra amar.
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