Aos amores desalentados

Se o amor está nos pequenos detalhes, torno-me minimalista.

Desenhei teus olhos em traços largos e desbotei seu marrom no papel, tudo o que eu precisava naquele instante era me refletir no teu olhar e saber que, de alguma forma, eu era seu foco. No momento que sorriu, lábios finos, fortes, de beijos guardados, eu sorri; não por mim, mas por querer compartilhar seu presente de felicidade.

Aquilo era amor.

Então me entreguei em palavras, enquanto você me lia - como uma cigana desvenda a palma da mão - decifrava e me entregava os segredos que escondi de mim e do mundo, me segurando firme em seus braços protetores.

Aquilo era cuidado.

E desaguávamos amores antigos, sonhos aflitos, desejos ocultos. E nos evadíamos, mais que pássaros selvagens e por um ínfimo instante estávamos desprotegidos, de braços abertos, esperando o tiro que mataria o orgulho, a bala que atravessaria o medo e, sem receio, seríamos um.

Aquilo era entrega. 



 - Por onde anda a tempestade dos olhos seus que não molha mais o deserto do meu coração? - Rabisquei em uma página qualquer, ao desenhar olhos castanhos dissimulados, pensando nos teus. 




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