A verdade é que eu queria estar embriagada a ponto de cuspir meu orgulho e te escrever todos os versos que as mãos não permitem e chorar todas as lágrimas que não saem. O pudor me consome a medida que escrevo e rasgo, sem ao menos ler, pois eu sei que é assim que precisam ser tratados os sentimentos que não se vão.
Ser cúmplice de Morais ao recitar minha Ausência que ele tão bem compreendeu. 
E mais uma vez me vejo no mesmo pesar que me causa a falta dos olhos, por Deus! como odeio perder os olhos que uma vez me pertenceram. Ah! E as mãos... por onde passarão minhas mãos senão pelo seu cabelo, nuca e costas? Onde descansarão minhas mãos senão em outras mãos?

Me calo. De súbito, há um calo na palma da mão.

E ao mesmo tempo que há sossego, há cansaço. Como sentir consome os dias! 
Então cesso os pensamentos, há suficiência em mim, veja bem. O que não existe é a sua vontade.

Eu aceito os desencontros. Eu aceito os desamores. Os descasos. Eu aceito ainda mais os desabafos. 

E se mato uma flor, já não mereço que alguém bem-me-queira

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