Sabe Carlos, de todas as palavras que te poderia dizer sobre
o vivido tudo o que minha mente se limita a pensar é: nunca saberemos o fomos.
Ou o que sentimos. Ou o que pensamos. Por que, tristemente, nunca nos
permitimos.
Acho que chegamos ao tempo de calar. O tempo em que o dito
já não pode existir, porque há sempre a obrigação do que somos: o nunca. Nunca
fomos o suficiente para que pudéssemos ser. Nunca fomos transparentes para que
pudéssemos ver. Nunca fomos tudo o que poderíamos. Nunca seremos.
Porque, Carlos,
no fundo, sempre fomos o sempre. Sempre acomodados. Sempre sossegados. Sempre
desistentes. Porque nossa virtude e fracasso é sempre abrir mão por medo de
perder, entende?
Então o que resta no fim, é o próprio fim. E o que resta
para nós é morrer mais um pouquinho e viver caminhando entre paixões. Porque
preciso te confessar: já não cabe mais a nós o amor.
Cessam as palavras. Deus tenha piedade de nós.
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