Quando a vida se torna aquilo que só as palavras expressam.
Antes mesmo que eu pudesse sibilar, entendi. Muito antes de pensar em começar
um texto desesperado de quem não consegue mais entender a vida e precisa, feito
um peixe fora d’água procurando desesperado o oxigênio, das palavras.
Exaustão. Era isso o que eu precisava falar: exaustão.
A vida é exaustiva.
Um parágrafo inteiro de desespero para
dizer: a vida é exaustiva. Me perdoem todo o rodeio para dizer algo que,
provavelmente, você sabia há muito tempo, existe em mim um tempo de absorver as
coisas, de sentir o mundo e de acolher meu coração chagasiado. O mundo passa a ser
barulhento e então me vem a urgência e o desespero de algo que não consigo
desvendar dentro de mim. Me irrito com o tempo que levo pra vida. E então entendo: não
é a vida exaustiva, sou eu chagasiada que não consigo correr na velocidade do
mundo. Sou eu, lentidão, que não acompanho meus sentimentos e então me doo os
pulmões, me tremo as mãos, me choro os olhos e me contorço o estômago e me
encontro paralisada com mãos abraçando os joelhos tentando entender como puder
chegar a isso.
Sou eu exaustiva em um mundo frenético de ritmo que não acompanho.
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