Cato as palavras dentro de mim e feito nós, desfaço as
tristezas do peito. Quando as lágrimas caem, é porque já não me caibo. E se descubro que não posso abraçar o mundo e
pegá-lo com as mãos, de que me servem os braços e os dedos?
E digo a vocês: não há mal em se sentir triste, só não deixe
que a tristeza se demore dentro de si. Porque tristeza é feito ferrugem e antes
que se perceba, não resta nada além de destroços.
Não há muito o que fazer na tristeza, mas o que resta a ser
feito é realmente a melhor coisa que poderia restar. Entregue-se em abraços
silenciosos, em lágrimas com colo, em afagos no cabelo e, então, quando se
demora no que resta, não sobra tristeza que fique.
Lhe digo, muito que aflita, mas as palavras não saem e crio
diálogos dentro de mim, como se ensaia uma peça sem público.
E desato meus nós e desaguam meus olhos.
Não há antídoto para quem é triste, sem porquê.
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