Você, com tua voz que não fraqueja e teus olhos que não
marejam, me declarou em segredo: o amor não é meritocrático.
Eu, aflita de mim, não soube o que dizer. Nunca soube ter
outro amor a não ser aquele que merecemos e por qual batalhamos.
Exausta de mim, você confessa: o amor não é uma batalha; e
eu me questiono em quais guerras estive lutando por toda a minha vida.
O amor é aristocrático, te afirmo.
Você não ri.
Não tenho o café para ocupar minhas mãos, destruo minhas
unhas e reviro cada canto da sua poltrona como se ela fosse um novo planeta para
mim. Não encaro teus olhos castanhos por medo de querer estar distante naquele
momento.
Escuto o relógio no meu braço pulsar como se fosse meu
coração no meio da atmosfera parada em que estamos.
Então você, pacientemente, me explica que o amor é uma
construção de tijolos e que alguns podem estar imperfeitos e que isso pode
fazer com que o que quer que construímos desmorone. Então, se um tijolo não
está adequado para sua construção, mesmo que sua obra esteja finalizada,
precisamos retirar tijolo por tijolo até descobrirmos onde está o problema e
resolvê-lo.
Não se ama pelo que você pode oferecer. Se ama por quem você
é e o sentimento que você causa.
Então você se cala e eu sei. Sei exatamente cada palavra que
você quer –mais do que eu diga- que eu acredite. O amor não é aristocrático.
Então, dentro de mim, no meu lugar de azuis primaveris, onde
eu me escondia, onde me cabia, onde eu me bastava, tudo se desencaixava tão
lógico que destruí-lo nunca foi tão libertador como agora.
Na Superlua que me presenteia com um novo ano regido por
Marte, o planeta da guerra, me declaro em paz.
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