Inferno de sentimento aflito para sair. Tus ojos é tudo que consigo escrever agora, angustiada em te contar
ao mundo, mas ainda presa ao egoísmo de te guardar em mim.
Cada vez que te escrevo, sinto que abro mão. De que? De nos
pertencemos, das nossas lembranças, do teu olhar me fitando enquanto ríamos
deitados naquele colchão velho no chão do quarto.
Me esmagam em suas mãos as palavras não escritas, como sua
alma esmagada por todos os sentimentos que teimava em esconder. Encaro teu
sorriso, enquanto tuas pupilas dilatadas me analisam. Eu aprendi a abraçar o
incompreensível em você, a digerir e agradecer aos momentos em que você
compartilhava comigo seu mundo e a forma com conseguia tornar o cotidiano em
algo para se guardar. Me entristece, pensando bem agora, que não tenhamos uma
foto nossa para que eu possa revelar e esconder dentro da minha caixa de lembranças
com uma data borrada escrita atrás. Vez ou outra, acharia perdido aquele
retrato tirado sem que víssemos e que seria nossa perfeita descrição: ao nos encararmos,
de riso solto, há uma distância um do outro que de alguma forma nos aproximava.
Minto ao mundo ao dizer que são as últimas palavras que te
entrego. Mas minto feliz em não permitir que eu esteja à mercê da ânsia em te
escrever.
Tão perto de mim, frente a tus ojos.
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