É que eu me permiti ficar presa por tempo demais no
passado. Porque eu fiz dele esse lugar seguro. E ele se transformou nesta
redoma de vidro trincada da qual tive medo de sair. Por muito tempo.
É que eu andei lendo esses textos de anos atrás que
me tocaram tão fundo a alma que quase fui definida por estas palavras e agora
lendo cada um dos seus versos, não me reconheço ali. Eu precisei voltar para
aquela poltrona, ressuscitar eu líricos como se isso fosse me lembrar quem eu
sou. Como se eu pudesse ser quem eu fui.
Nós somos atravessados por tantos acontecimentos,
escolhas, pessoas, fatalidades e acasos. Como se espera ser o mesmo depois de
uma vida vivida?
O seu desejo já é este grande evento que você
espera o céu anunciar.
Não espere o fim para legitimar suas escolhas. Que
teus pés e sonhos te levem aonde você almeja.
Que o acaso não te baste como vitória. Pare e
perceba o excesso de inverno lá fora.
Os espaços que não te comportam mais não perdem o
significado.
Expandir fronteiras é mais fácil que encolhê-las.
Talvez ainda me faltem as palavras que te digam
todas as coisas que precisem ser ditas. Mas eu sigo tentando.
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