Carlos,
Desde a última vez
que te escrevi, no dia vinte e nove de julho de dois mil e dezessete, fomos
tantos outros que tive medo de te colocar no papel agora, três anos depois.
Você tentava me
convencer, com teus olhos doces, naquela poltrona surrada ao lado da janela,
que todos éramos feitos para o amor. Enquanto, eu, com esta alma sepsia,
tentava te mostrar a beleza na solidão. Fazem quase três anos e eu precisei te
escrever hoje. É que pensei em você o dia inteiro, em quão doloroso foi
descobrir lá atrás que não havia mais tempo na vida para cafés e livros. Hoje
estou aqui, vendo o tempo correr vagaroso passando cafés novos com uma frequência
na qual você me puxaria a orelha e eu sorriria sincera porque eu sempre amei o
seu cuidado. Tuas mãos quentes, teus olhos bondosos.
Você, Carlos, me
deu o sopro quando me fez descobrir humana. Quando te confessei atropelar a
vida e matar dinossauros antes que venham meteoros por puro egoísmo de não
querer a perda. Fazem três anos e sempre me volto a você quando preciso dessa
esperança boba. Da tua janela, somos estáticos. Os astros giram em torno de
nós, mesmo que sem querer, nessa dança bem ensaiada.
E se outro nome o
amor tiver?
Nós somos este
evento astronômico, mas ninguém parece se importar. Do início ao fim. Somos
essa explosão de brilho infinito que dura segundos. Ressoamos nossas memórias
pelo espaço-tempo. Esta é a nossa marca no mundo. O início e o fim não podem
ser delimitados, pois são um só.
A verdade é que
precisamos olhar longe para enxergar a beleza que mora no outro e em nós.
Construímos lunetas, inventamos telescópios para descobrir o universo e apreciar
o brilho das estrelas. As pessoas gostam é do passado, é a única conclusão que
posso te dar neste momento. De olhar o brilho da estrela morta assim como nomeiam
grande e atemporal o artista depois de morto. É por isso que insisto: artista é
estrela. As estrelas vivas não brilham como eles querem, entende?
Eu sei, você virá
com seu otimismo pungente. Me cobrirá a testa com um beijo e eu entenderei.
Entenderei porque sempre preciso ir embora.
“Já passamos por tanta coisa, darlin’. E nós sempre
sobrevivemos”
São tempos novos.
Já não me importa a beleza nos meus textos quando, enfim, enxergo a beleza no que acontece em mim.
Nobody but me.
Não sua, Tereza
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