Embargo - Dia 8

14 de Julho de 2000 e estamos aí 

- É como se eu estivesse submersa nesse mar, sabe? E quando estou chegando a superfície para respirar quebranta a onda e é tanta onda o tempo todo que o corpo cansa e perde a força para continuar em busca deste respiro.  Nadar contra a maré, contra a gravidade que te puxa para baixo o tempo todo me parece injusto demais.

- Ao invés de nadar para cima, você pode nadar para frente, já pensou? Ao invés de desesperadamente tentar respirar, você pode, primeiro, achar um lugar no qual você dê pé e aí então encher o pulmão com o ar necessário para continuar.

As perdas, mesmo que subjetivas, tem impacto em quem somos. As rotinas, os encontros, os sorrisos... tudo isso cria espaços dentro da gente. Como é possível dar conta se existe essa tensão instalada em meus ombros o tempo todo?

É preciso estar atenta e vigilante e não normalizar os sentimentos que já deveriam ter partido.

Está tudo bem querer molhar os pés de vez em quando na água, mas atine-se ao movimento da maré.


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