Esse é um texto para vocês.
15 de Julho de 2000 e dezoito mais dois
É que eu tô
ouvindo Little Joy em loop no dia de hoje como se eu pudesse voltar em dois mil
e dezoito para chorar por algo que agora parece pequeno demais. Pensei muito em
sua carta (que não foi endereçada a mim) e sobre as mil e uma facetas que as
palavras assumem dentro da gente. Para você, querer vivo o que morreu é
egoísta. “E para você, não é?” Não soube o que responder. Para mim, era a
saudade.
Leio suas
palavras. Haviam dias e dias em que não sentia a leveza no ar. Os ombros
descansados, o sangue correr pelas veias e artérias, o coração pulsar.
Hoje eu experiencio
- ao dançar sozinha a música silenciosa do se sentir bem - o frio do cabelo
molhado contra a pele arrepiada, o macio do pelo do gato roçando em minhas
pernas ao pedir atenção. O amor no ar, o cuidado, a beleza em se estar viva em
um lugar que é bruto demais. A gente é
feito flor entre o concreto. É clichê, eu sei. Mas a nossa existência é uma
afronta e estar viva é o maior prêmio da nossa existência.
Eu sigo
falando sobre os medos, entre estes textos que em outro momento não passariam
de rascunhos mal elaborados em um arquivo que não valeria a pena salvar.
O objetivo é
chegar aonde der.
Hoje eu me
gratifiquei nos pequenos detalhes, que são grandes conquistas dentro de um
mundo que parece não existir. Tornar o momento palpável já é minha vitória
incontestável. A simplicidade das coisas se tornam prazerosas.
A vida é uma
questão de tempo até que se alcance o fim.
Já não me
importa saber amanhã, a esta hora, onde estarei. Eu estou aqui, hoje.
Todas as
flores do mundo estão exalando seu perfume, a chuva há muito não cai, mas eu
sei que molha o chão de algum lugar e as palavras que saem da tua boca já não
ferem.
Eu sigo
procurando uma forma de me manter viva, seja na palavra escrita, seja nas
músicas cantadas.
Tem dias que
o amor – como tudo que é humano – precisa serenar.
Hoje eu respirei aliviada. Não. Hoje eu respirei feliz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário