Incompreensão - Dia 17

Darlin’,

Eu esperei que você soubesse que minhas palavras atravessam feito chama e queimam e ardem o peito. Eu esperei enxergar estes escudos que você usa há tantos anos e que fazem as palavras voltarem a mim causando microcortes por toda a minha extensão. São vinte e tantos anos e você ainda não compreendeu minha solidão. São vinte e tantos anos e eu ainda não compreendi sua presença. Para você, minha existência sem suas permissões é uma afronta a sua entrega e amor. Como se o amor fosse esse contrato de empréstimo. O amor é livre. É não se esticar e se deformar nem se encolher e se podar para caber. O amor é essa dança de dois passos para frente, dois passos para trás que todos damos para encontrar a sintonia na relação. (Tenho andado tão piegas, o que será que aconteceu por aqui?)

Você só reconhece o amor que entrega e isso é tão blue.

Tanto amor sendo entregue por aí e essa tua miopia sentimental te fazendo perder toda e qualquer entrega que não seja semelhante à sua. Escorre pelas mãos.

É que eu andei farta do mundo. Tenho tentado ser menos resolutiva quando me falam de sentimentos, mesmo que isso me custe as minhas palavras.

Nada nunca é suficiente quando se espera que seja feito da forma que faríamos. É sofrer pelo inevitável.

Process in progress.


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