Predicado - Dia 6


12 de Julho de 2000 e ponto.

O dia que te pedi a saudade de presente, você se assustou. Te expliquei que a saudade que é este sentimento permanente em mim e a acolho sempre com prazer. É na saudade que mora o teu cheiro fougere fresco, o gosto dos almoços de sábado e das noites de domingo. De todos os sentimentos, eu escolho a saudade. Mesmo que esta seja um estado de espírito.

Quais ausências cabem a mim sentir? Hoje o cotidiano me falta. Me falta também sentir as texturas dos transeuntes na rua. Sem o medo. Sem o desespero.

Cada perda é um luto, eu me acostumo aos sentimentos aflitos. Mas me doí a ausência dos afetos; dos abraços. Como se demonstra amor em tempos sem tato?

Quando você me disse: sei que sou incrível, pois sou cercado de pessoas incríveis. Eu entendi: eu sou porque somos e o mundo ganhou um novo ar, como o respiro que traz esperança.
A troca, a entrega nas palavras, nos silêncios, entre o espaço do querer bem. Ressignificar. Saudade é esse instrumento que nos dá o direito de se eternizar aquilo de melhor que vivemos e possuímos mesmo que não seja perene.
A saudade que não tem remédio. Pois não se cura o que não é doença.
Saudade é dom.

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