12 de Julho de 2000 e ponto.
O dia que te pedi a saudade de
presente, você se assustou. Te expliquei que a saudade que é este sentimento
permanente em mim e a acolho sempre com prazer. É na saudade que mora o teu
cheiro fougere fresco, o gosto dos
almoços de sábado e das noites de domingo. De todos os sentimentos, eu escolho
a saudade. Mesmo que esta seja um estado de espírito.
Quais ausências cabem a mim
sentir? Hoje o cotidiano me falta. Me falta também sentir as texturas dos
transeuntes na rua. Sem o medo. Sem o desespero.
Cada perda é um luto, eu me acostumo aos sentimentos aflitos. Mas me doí a ausência dos afetos; dos abraços. Como se demonstra amor
em tempos sem tato?
Quando você me disse: sei que
sou incrível, pois sou cercado de pessoas incríveis. Eu entendi: eu sou porque
somos e o mundo ganhou um novo ar, como o respiro que traz esperança.
A troca, a entrega nas
palavras, nos silêncios, entre o espaço do querer bem. Ressignificar. Saudade é
esse instrumento que nos dá o direito de se eternizar aquilo de melhor que
vivemos e possuímos mesmo que não seja perene.
A saudade que não tem remédio. Pois
não se cura o que não é doença.
Saudade é dom.
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