11 de julho de 20xx (sic)
Você me diz: deixo-te ir. Como
se minha partida fosse uma escolha sua. Que poder é este que acreditamos ter na
vida do outro a ponto de achar que podemos deixar ou não algo fora do nosso
alcance?
É chegado o momento que de
súbito, não me calo. De agora em diante, as palavras que entregava aos outros
me pertencem, mesmo que sejam durante suas cartas de versos torpes e cansados
de serem versos seus.
Recomeçar.
Hoje era o dia que havia
desistido da escrita. Me entregando justificativas suficientes para não
espalhar minhas sentenças por mais um texto mal elaborado. Desde o dia que decidi
que meu hábito diário seria entregar as palavras a mim, mesmo que parecessem
malfeitas, eu já pensava nas justificativas que cabiam para os dias que eu
pensasse ser difícil demais te escrever. Como os sábados que tem se tornado a
cada dia mais o sinônimo da melancolia sem a destreza de sê-la por completo.
Penso muito sobre o destino e
as pessoas e as escolhas nos vinte minutos de caminhada entre minha casa e o
serviço e o serviço e minha casa. Perco esses manifestos pessoais com frequência,
pois mesmo quando tentei gravá-los para me lembrar da dor no peito que me
causavam, não era suficiente para que eu pudesse escrevê-los. Penso que as
palavras são como a partida do outro: estão fora do meu alcance e permissão.
Elas vêm e vão vêm e vão vem e
vão e nada posso fazer senão que acolhê-las enquanto me pertencem e vê-las ir
quando é chegada a hora. Já não sofro pelas palavras não escritas como um dia
sofri, pois não cabe a mim decidir o momento de pertencermos umas às outras.
A serendipididade nos meus
textos nada mais é do que o momento e hora certa de estar à frente de papel e
caneta para que eu possa eternizar o sentimento enquanto ainda me pertence.
Au revoir
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