16 de Julho de 2000 e vinte
É a primeira vez em
muito tempo que possuo mais textos do que meses em meu ano. Entretanto, hoje,
talvez, seja a primeira vez em muito que quero escrever. Não sei exatamente por
onde começar. Quem sabe eu tenha perdido a urgência que trago no peito em viver
o tudo por completo.
Eu acredito que no fundo, chegar ao fim é perder o mistério. Do que? O grande
mistério que traz a cor aos dias, causa o frio na barriga e provoca essa fome
de vida. A grande solução de tudo. Por isso, o final do arco íris é este lugar
inalcançável.
Além dos fins – coisa da qual penso constantemente – andei pensando sobre a
dor. Esta que as vezes é tão profunda que precisa ser sentida em silêncio para
que se vá por completo. Estive dias absortas em minha tristeza, destas que não
conseguimos nos reconhecer no espelho. E quando me pergunta “tudo bem?” eu me
perco na resposta - acho que por isso acabo por deixar as mensagem de canto. É
que eu tenho esse instinto cientista de ir atrás dos fatos para que a pergunta
seja sanada. Mas não há fatos suficientemente concretos que expliquem a minha
ausência do mundo.
Em algum lugar do mundo alguém está feliz. É a descoberta de estar gerando uma
nova vida, o cheiro do tempero de infância, um trecho em um livro qualquer que
lembrou aquela pessoa do passado.
Em algum lugar do mundo
a felicidade está presente.
Hoje a felicidade está
aqui.
Estamos todos
sentenciados a viver.
E a felicidade está aqui.
Na sopa quente, nas entregas feitas, no conforto do meu quarto, nas risadas
compartilhadas.
É que a cada minuto uma pessoa descobre o amor.
Hoje eu me enxerguei no espelho.
E descobri o meu.
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