Algumas (poucas) palavras sobre o luto (e sobre você).

Fazem 2 anos e vira mexe me pego chorosa com alguma música que me lembra você. Temos exatas duas fotos juntas - que com muito custo consegui tirar – em câmeras de péssima qualidade. Você tão pequena dentro de mim e ainda sim tão forte em tudo. A delicadeza nos seus gestos, teus olhos acalentadores. Qual o peso da palavra paz?

O luto é muito triste e muito feliz. Muito confuso também. Porque eu queria ter te aproveitado mais e não ter deixado a urgência da vida me guiar. Queria ter dito mais o quanto sentia sua falta e o quanto gostava dos nossos dias mesmo que os acasos da vida mudassem nossa rotina. Me pergunto se é eterno o adeus ou a saudade que preenche os espaços que aos poucos você foi deixando. As vezes sinto seu cheiro por aí e é uma urgência tão grande em senti-lo por completo antes que ele se desfaça. Ao mesmo tempo é uma delicadeza em sentir bem devagarzinho para que o momento dure o máximo que puder.

Bem, acho que o luto é isso. Estar nadando neste mar de saudade e as vezes se afogar porque se esquece como se respira. Ir a superfície, ganhar fôlego e voltar a mergulhar nesse lugar novo e bonito no qual as memórias habitam.

É na saudade que mora o amor, tudo de bom que foi vivido. É na saudade sentida que os momentos se tornam monumentos das relações.

Paro por aqui. Vou fazer um chá de hortelã (que não tem o mesmo gosto que tinha o chá colhido no seu quintal).

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