Manchei meu livro com a flor murcha que teve algum significado um dia. Hoje, já não sei mais do que se trata a flor seca perdida no livro que nunca consegui terminar de ler. A guardei por amor ou ódio?

Vivemos focadas no para sempre como se pudéssemos ter o poder sobre a efemeridade.

Hoje você morreu. Sinto como se todos os dias que antecederam sua morte eu tivesse vivido o luto. Não que ainda mantivéssemos contato ou o sentimento intacto, mas é que a vida tem seus jeitos de dizer o que precisa ser dito. Tenho tentado dar voz a minha intuição, mas sou feita de descrença. Bom, por estes dias estava me recordando do seu sotaque carioca reclamando - por entre os morros de beagá - de como andávamos muito e se não havia transporte público na cidade. Rimos juntos, paramos para tomar um picolé e te encorajei: só mais dez minutinhos. A partir deste dia se prometeu nunca mais acreditar no “logo ali” de mineiro. Bom, depois deste dia não te vi mais e no passado de comunicação restrita, nos perdemos.

Hoje você morreu. Essa palavra que por vinte e três anos me recusei a encarar e, talvez, por isso eu nunca tenha aprendido a dizer adeus e me encontro sempre constrangida com os fins.

Eu te prometo não reclamar do sotaque carioca e dar mais uma chance ao rio de janeiro mesmo que eu sabia que não iremos nos esbarrar por acaso em qualquer esquina.

Nada mais efêmero que o agora. 
Nada.

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