Me perdoa. Eu não sabia o que fazer com tudo aquilo que eu estava me tornando. Eu não enxergava outras maneiras de ser quem eu sou senão deixando tudo o que me estagnava ao passado para trás. É que eu sou assim. Uma mulher. De coração chagasiado. De espelho na face. Que pinta a vida em cores. Que encontrou libertação nas palavras. Uma mulher. Que agora sabe o que antes não sabia. Porque é isto que me mantém viva. Me descobrir a cada dia. Mesmo que a bagagem que venho amontoando em minhas mãos pese algumas vezes.
(Seria pecado não sentir falta? Ou seria a emancipação?)
É que eu sou este ser urgente. Em sentir. Em me apaixonar.
Em deixar ir. A urgência é minha maldição. Em viver. Em morrer. Em me entregar.
Urgente em sentir os dias passarem por mim, em fazê-los valer a pena, em
absorver todo o conhecimento que me cerca e ainda sim me deixar vazia para quem
eu ainda serei.
Esta é a minha vitória. Me permitir a entrega sem precisar
ser por completo. Deixo para ser completa ao morrer. Enquanto vivo, sou o
momento, aquilo que me cabe ser e nada mais.
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