Tenho muitos textos acumulados em meus dedos de tanto sentir coisas que ainda não sei muito bem como te dizer. Diferente de muitos aspectos da vida em que fui tardia em sentir ou precipitada em abandonar, algo que aprendi desde muito nova foi o deixar ir o que precisa ir. É que talvez - dentro deste coração chagasiado - este seja meu dom: me conectar as pessoas por um laço estreito sem estar presa a elas por isso.
Logo eu, que um dia pensei ser este mesmo coração a marca que deixo no mundo, hoje percebo que nada se mantém senão o que os outros possuem de mim.
As nuvens rosas anunciam o presságio de ventos frios. As cigarras nos contam a chegada da chuva. Nós, nada temos a dizer e mesmo assim não nos calamos, pois há a necessidade urgente em se fazer presente em qualquer fresta de sentimento que o outro tenha.
Entendo. É que as relações estão nas entregas. E muitas vezes o que sobra dos encontros, é a falta.
Quando você não escrevia, estava morto, um dia confessou. Eu, quando escrevo, estou eterna.
Hoje, eu te confesso.
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