Estive tão voltada para dentro que andei tão aflita por aí com tudo que me cerca sem ao menos perceber.
Respirar consciente. Tanta lágrima que não me cabe.
É que os fins me deixam muito sentimental e depois desse ano descompassado onde a vida passava tão ligeira lá fora e ao mesmo tempo tão devagar aqui dentro fiquei que não me caibo em lágrimas.
Haviam tantas palavras em mim enquanto a água caia em meu corpo varrendo o cansaço. Palavras bonitas sobre a presença e recomeços. Como almejar que outro te conheça por inteiro se nem a ti mesmo se conhece. Somos tantos que a cada minuto, um recomeço.
E ainda assim as pessoas se fazem presente.
Porque a presença é escolha e a ausência é o respeito. Quando aprendo isso, me relaciono de uma forma que antes não havia pensado ser possível. E é lindo isso, sabe? Saber respeitar o momento.
Agradeço a tudo que entrou em minha vida e preencheu esses espaços construindo aos poucos quem eu sou. Agradeço também por ter partido e por entender que o partir não é deixar morrer.
É que tudo que nos tange é cíclico e das mortes que sofro renasço. Não é questão de estar mais forte. Não sei qual a questão de renascer, ainda, mas posso te dizer que não é sobre ser forte. Talvez seja o oposto. É que eu ainda não sei qual é o oposto de ser forte. Veja bem.
Sei que o oposto do amor, é a posse. Não se possui o que se ama e não se ama para possuir.
Passamos por tantas estações, tantos climas e tempos. Eu comecei o ano viva e terminarei o ano não morrendo. É que há tanta beleza a ser vista e vivida. Como os gatos que rolam no chão ao se lamber, como as mangas que caem do pé de madura e os pássaros que agradecem a fruta doce ao chão. Há um céu com nuvens que andam vagarosas me lembrando que o tempo corre por nós mesmo que devagar. O girassol que germina no vaso tão forte em quebrantar a terra e tão frágil em se apoiar na estaca.
É que lua mesmo vendo o mundo caótico em que orbita continua a sorrir.
É que ser feliz é perigoso. Hoje eu decidi ser feliz.
Veja bem, é verão.
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