Quando você, Vinicius, me disse que a felicidade era finita, eu me senti traída. Não por você..., mas pela vida, por estar neste mundo em busca de um tesouro inalcançável.
A impermanência de tudo. Eu descubro a felicidade na tristeza. Sem o pano da alegria.
Já tive tanto medo da felicidade. Tão intermitente que é: se seca, seco junto eu.Então, ao invés de matar a sede quando a chuva cai, prefiro viver com a garganta seca para nunca experenciar minha boca rachar tendo conhecido a sensação de me saciar.
Eu nasci para ser feliz, mas ser feliz é ser agora e não no
futuro que projeto. A felicidade não se constrói, se aproveita. Nos destalhes que
nos cercam, nas dores que sentimos. Em olhar pra dentro e pensar que ainda
estou aqui e que a vida se faz neste ciclo. Em olhar para fora e enxergar o que
se acumulou no caminho e quem anda a estrada com você. A felicidade tem fim. É
importante o que eu digo, me leia com atenção. A felicidade tem fim e você
sobreviverá, porque a felicidade tem início também.
No girassol que brota rompendo a terra seca, na joaninha que
pousa em sua cortina trazendo boa sorte. Em redescobrir aquele artista antigo e
perceber que ainda se lembra de como cantar suas letras. A felicidade visita,
no movimento da maré que vem-e-vai, para levar embora o que precisa ir e deixar
na praia a esperança. Por isso que alga é verde.
Ou por isso que verde significa esperança?
A felicidade não exige muito, baste se permitir. A
felicidade não se importa com seus erros e acertos, desde que você esteja
atento. A felicidade não se importa com os monstros que carregamos, com os dias
cinzas, não espera que você esteja pronto. A felicidade só pede sua permissão
para se mostrar nas frestas deste mundo endurecido. É difícil enxergar a
felicidade que mora dentro de cada rachadura, esperando para ser flor, quando a
procuramos lá fora.
Ainda que triste, me descubro
feliz.
Estar é emancipador.
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