Não quero ser a pessoa de últimas chances. Foi essa minha conclusão enquanto tentava escrever as palavras chaves sobre todas as coisas que pairavam em minha cabeça sem que ainda pudessem ser ditas. Seguro a respiração para evitar que as lágrimas caiam. Desenhei naquele papel amassado os sentimentos não verbalizados, é que eu sempre fui uma pessoa de substantivos, sabe? Desenhei aquele coração anatômico dentro daquela garrafa de água ardente;“os sentimentos curtidos” que me atravessam os dias. É que nunca foi do meu feitio suturar as feridas abertas. Deixo sangrar até que morra.
Eu, que sou injusta. Em esperar
que você não me decepcione por ter vivido uma vida para não desapontá-la. São
as verdades que carrego nestas palavras guardadas, como quem espera que astros te
direcionem. Talvez eu já tenha te dito, mas preciso falar até que se
materialize em mim. Quando você fala é que você se faz presente e ocupa seu
lugar. Talvez seja difícil se ouvir, mas é urgente o que digo: Precisamos
humanizar as pessoas que amamos.
Ao escrever oca, preencho o espaço.
Como o ar preenche o vazio. Logo eu, que exaustivamente precisei te dizer sobre
o meu coração chagasiado.
A verdade é que tenho sido minimalista em sentir, me prendendo as pequenas verdades que os dias se carregam de me entregar.
Pelo que sou grata a cada manhã?
Desmistifico o cansaço diário - me lembrando que ele não é individual - quando paro e ouço as pessoas que me cercam.
Talvez o apocalíptico dia chegará
antes do previsto: aqui jaz uma catalisadora.
É que se encantar com o mundo em
meio ao caos é uma tarefa que pede muito mais que palavras entre os dedos e um
coração curtido em sentimentos.
Descubro atividades com as mãos
que não me gerem palavras - essas que sempre
me foram asas de cera – e, assim, descubro a alegria em respeitar o tempo das
coisas.
Como atravessar os dias carregando
a coragem?
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