Eu queria escrever, mas é que escrever as vezes é uma tarefa
que vai quase que de confronto contra meus sentimentos. Sorte que sempre fui teimosa.
Pensei em algo tão bonito sobre como os sentimentos se embaralham dentro da
gente desencaixando cada verdade que levamos tempo para construir. É que a
esperança morreu e os dias se arrastam e as horas não carregam o peso de viver.
Algumas vezes não existe a música certa para o momento e eu
sigo arranhando discos, pois preciso do som que preenche esses vazios que tenho
tido dificuldade para fechar. Desencaixa a vida. Por um momento, respirei
aliviada pensando estar seguindo no caminho certo, realizando atos heroicos para
mostrar o meu valor e de repente me peguei angustiada porque não vi o tempo
passar por mim e ocupei agendas e desde estão venho roendo as unhas repassando
tudo que eu poderia ter feito para não fracassar. Mas eu fracassei. E eu queria
te dizer que está tudo bem fracassar. Mas toda vez que algo que estava no meu
controle falha, o sentimento que fica é que eu não sou digna das coisas que
conquistei enquanto não fracassava. Não há ninguém que possa me salvar da
necessidade de ser perfeita e é uma urgência tão grande de ser, que institivamente
me pego fazendo tarefas mal feitas como argumento para a alma. Vivo na ideia do
que poderia ter realizado se tivesse dado o meu melhor. Vivo no medo de
realizar o melhor e não superar as expectativas que eu criei
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