10 de setembro de 2022


Me sinto voltando ao fundo. 

Andei angustiada porque havia tempo que não escrevia. Tenho questionado tudo à minha volta e a ansiedade corrói toda paz que aos poucos tento encontrar. O meu coração anda apertado, porque já não me caibo no passado e no presente reside as incertezas das quais não tento mais fugir. E dói. Dói tudo. Ossos, ombros, mãos, cabeça, joelhos e coração. Por um simples momento eu queria respirar fundo e confiar em mim, mas às vezes sinto ser impossível mergulhar fundo e que corro e corro neste banco de areia sem fim.

Talvez seja isso e eu tenha nascido para ser nada além do que já sou e para não dar nenhum outro passo além do que já dei. É que não me conformo.


Tenho tentado me abdicar de certas visões para dar espaço para o desconhecido. Equilibrando a empatia e a sabedoria que residem em mim. Mas me sinto culpada e culpada e culpada. Questionando o tempo inteiro as escolhas que faço e os caminhos que percorro, tentando me perdoar antes mesmo do erro.

Então, vem o sentimento - qual? - e a exaustão.

Primeiro, a raiva. Aquela que me persegue por onde quer que eu vá, feito um animal ferido precisando de cuidado, mas pronto para atacar. Me aproximo aos poucos desse sentimento, respirando fundo e respeitando seus limites. 

Depois, o remorso. Porque eu deveria ter dado conta e não dei. Porque me afastei de quem amava, porque não cumpri expectativas que eu mesma criei.

Então, a apatia. Desisto de tudo. Exausta de sentir e viver, vou abrindo mão do controle, com medo de encontrar pessoas, calculando minimamente a energia que possuo para sair de onde me encontro.

Há, em mim, uma teimosia primitiva. Me esforço pra me reerguer e aproveito qualquer fresta de sentimento afável que consiga alcançar e nela me ancoro, enquanto dá. Talvez seja isso que precise ser aceito.

Olhar para dentro com a mesma delicadeza que pratico olhar para fora.

Sem esperar que todos escolham permanecer, que todos escolham tentar mais um pouco, que todos deem conta de respeitar os silêncios quando ele vem. 

Isso, enquanto luto contra o desejo latente de me isolar em mim, por medo de perder tudo. Por só conhecer o vazio que fica. Por receio das dores que fazem parte de uma vida de quem vive.

Eu não sei como pedir perdão, nem como perdoar ainda.

Mas enquanto viver, busco maneiras de encontrar essa paz.


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