Sua gaiola está aberta, não se acomode.


Eu nasci pássaro engaiolado, mas com portas abertas e por ter tudo que sempre me disseram ser necessário nunca pensei em voar. Em minha cabeça flutuavam milhares de perguntas sem respostas e a que com frequência pairava no meu sossego era: Por que as pessoas insistem em se acomodar?

Sempre tive tudo que eu precisei, mas nunca o que eu quis ter e fazer essa descoberta foi como morrer. Eu, um pássaro de gaiola sem tranca, morto por não saber voar. E então sucumbi aos meus desejos e descobri o que se chama viver e que isso pode sempre melhorar. A beira da gaiola, minhas pernas adormeceram e por várias noites foi assim: Adrenalina, vontade, dormência, medo, desistência.  Eu todo dia eu morria, todas as noites pensava em nascer.

Em uma insônia persistente fechei meus olhos e repeti em voz alta o que sempre pensava antes de negar minhas possibilidades: se eu voar não passo do céu, se cair não passo do chão.  E me joguei de um precipício chamado vontade e aquelas correntes criadas pelo comodismo se disfizeram a medida que alcancei o céu, até tocar seu anil e me tornar parte de um cenário e me tornar inteira, por que voar é mais importante que comer ou viver.

"Voar é mais importante que comer ou viver."

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