Teadorar
Todas as noites, quando a insônia adentra ao meu quarto e a loucura aumenta minha febre, tenho meus surtos de imaginação e as palavras dançam ao som de uma suave melodia enquanto as transponho para o papel. Deitada em minha cama, penso como seria se não existisse tetos? O mundo seria tão mais bonito, concluo. Afinal, estrelas são nossas melhores companheiras para noites mal dormidas.
Minha cabeça quase sempre doí a procura das palavras certas e quando as acho insisto em repetí-las por que um dicionário nunca foi o suficiente para me deduzir e para me enquadrar. E lá se foram mais palavras tão gastas como sola de sapato velho.
-Essas sairam do forno!
-Não me servem.
-Como não Camila? Essas são exclusivas e novas.
-Mas eu já usei todas elas, e essas que estão passando pela sua cabeça também. Eu preciso ser como aquele escritor, o ... é... Ah aquele que fez aquele versinho: " Teadoro Teodora!"* Depois dessas palavras nunca mais fui a mesma.
Eu entedi o sentido de estar um passo a frente de toda humanidade, a importância de um pequeno gesto e depois de ler esse trechino meu coração se encheu do verbo e suplicava por essa ação. Um dia eu hei de teadorar alguém, eu hei.
*Manuel Bandeira
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