A igual nascente de vomitar e escrever.
-Hoje eu preciso escrever.
-Mas você não precisa todo dia?
-Não. Tem dia que as palavras apenas escoam através das minhas juntas, outras vezes elas fazem doer meus dedos.
-Qualquer que seja, ainda assim é uma ânisa escrever.
-Ânsia... Já pensou que a gente tem ânsia de duas coisas?
-Não, que coisas?
-Escrever e vomitar. Será que esses verbos tem mesmo adjetivos em comum?
-Claro que não. O vômito é sinal de que algo não lhe fez bem.
- E quem diz que escrever faz bem ou mal? Isso depende do texto, do autor, da inspiração, da lua.
A lua perdeu seu sorriso exatamente essa noite; a noite em que decidi desisti. Ela resolveu crescer e perder a sua essência de fragilidade e paz. Engoliu seu próprio sorriso. Porém o céu agradeceu e se pintou em um arco-íris de três faixas e uma única cor: o branco. E se ao fim desse texto enquanto estiver me analisando com fluidez sentir a ânsia de vômito saberei que meu trabalho está bem feito, que eu consegui comer todas as palavras que me foram oferecidas e jogá-las pra fora ordenadas e digeridas em um texto brando e desnexo pra quem se afundou no ceticismo. Eu escrevo pra você Barbara, que tem o dom de doer pelo mundo e vomitar pela humanidade as frases mais exatas e sentidas que um dia consegui ler, mas tem medo desse seu vômito. O seu medo é proporcional ao nojo que as pessoas terão a ler meus versos, por que a maioria delas se tornou objetiva e vê denotação em tudo. Então Bárbara não tenha medo e nem nojo do seu constante vômito de letras, não tenha ânsia de escrever e engula de uma vez tudo que está colocando pra fora até quando se fica apenas no pensamento. Esteja preparada para sua própria descoberta nesses seus vômitos lidos, por que você me ensinou que isso é bom. Enfim, não tenho medo de ler seu vômito escrito, por que você faz isso quando pensa e eu sei que tem pensado muito.
-Você lê?
-Leio sim. O jornal de todos os dias, as revistas mais importantes do país. Leio sobre política, atualidades, ciência. Enfim, leio e muito.
-Está ai o seu problema.
-Qual meu diagnóstico doutor?
-Ceticismo induzido.
-E tem cura?
-Tem sim. Um choque de realidade e uma visita ao subjetivo. Se isso não te curar camarada, não sei o que fará.
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Eu quero vomitar mas me falta o estômago agora. Obrigada, minha menina.
ResponderExcluirNão falta não. Você tem medo de tocá-lo mas o fará mais cedo ou mais tarde e o descobrirá ai dentro, eu sei.
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