O meu meio termo lilás.


Nunca consegui entender essa minha fixação pela noite, variava entre as possibilidades quase nulas de me explicar que sempre foram opostas. Ou a noite me encobria e engulia a ponto de me misturar ou ela me expunha e denunciava a ponto de não conseguir me esconder.

Em um entardecer cor-de-rosa um surto me engoliu e eu achei um meio termo em minhas contantes extremidades. A lua estava lá, fraca mas estava lá, com suas deformidades e tão grande quanto as pupilas dos meus olhos. Pintada de rosa, lilás e azul. Principalmente lilás, nem rosa, nem azul. E esse foi meu meio termo, ser lilás. Finalmente meu Deus! Bradou meu estômago cansado de todos esses apertos que o fazia sofrer por nunca me equilibrar.

E eu sonhava todas as noite, o mesmo sonho: Eu subindo na corda bamba e caindo ora pra esquerda,  ora pra direita. Logo após esse fim de tarde meu sonho foi outro: eu me equilibrava e ia até o final da corda bamba. Eu pedi a Deus mais tardes lilazes e noites frias, mais luas grandes e deformidades e Deus me disse que eu as teria, basta paciência.

Eu descobri que sempre terei sonhos pra serem sonhados por longas noites mal dormidas até que eu não seja mais eu; até que um novo surto me engula; até que eu me renasça; até que o lilás precise ser retocado.

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