Caminho de casa.
Sentei no banco vazio do ônibus tão azeda comigo mesmo que todos ao meu redor sentiam o perfume de limão. O banco ao meu lado sempre vazio, apenas três (corajosas) mulheres sentaram-se ao meu lado; penso eu, atraídas pelo aroma cítrico. As duas primeiras sentaram-se quase de lado observando-me minusciosamente como se eu fosse uma arte abstrata, eu sorri mentalmente. Maria José, a terceira mulher a sentar-se ao meu lado cheirava a jiló e foi assim que me perguntou as horas, amargamente, e no meu cheiro ácido a respondi, direta e seca, 9:30 am. Fomos o restante do caminho caladas, mergulhadas no nosso próprio pensamento, penso eu, egoístas. Ela desceu um ponto antes de mim, como se estivesse a caminho da forca. Logo desci como quem está a caminho de casa.
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