Afino a alma pra uma melodia melancólica. Descobri que tenho tristeza de sobra em mim, guardada em algum lugar que não descobri. Então resolvo que quero algo a mais. Quero uma vida que seja além de viver. Tenho andado angustiada por que os pensamentos me tomam e se vão no intervalo de um banho. Apanho o papel e o lápis e tudo o que consigo deixar marcado são minhas gotas manchando as linhas. E sou um estar constante;
Estar aflita, presa em elevadores, paredes, vasos, quadros e escadas arranhando minha garganta enquanto ecoo frases densas ou uma ideia genial para um suposto troco sentimental, ou algo que empolgue num show. Estar estátua em jardins, estantes, museus e mansões enquanto balanço passos leves ou pesados sentimentos esquecidos. Estar serena, deitada em gramados verdes, debaixo de árvores tortuosas e camas bagunçadas enquanto acordada sonho com o futuro que recuso a planejar ou relembro fatos que me prometi esquecer.
Estar algo além do que a vida me pede.
Algo além do que desejei ser.
Além do que esperaram de mim.
Do que meus pais foram.
Foram meus dias,
assombrados por lembranças vagas.
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