As palavras dos outros. Sentimentos meus

Eu sorrio porque não há refugio. Do amor e da vida ninguém escapa, ou escapa ferido, dizendo que não se perdeu. Eu sorrio achando que posso lhe guardar no coração e segredar com ela minhas confissões escritas em pedaços de papel rosa glacê. Sorrio agradecendo em silêncio sua existência pura, insípida e frágil. E se eu pudesse apenas sorrir, eu apenas sorriria, mas por hoje também escrevo. Outra vez escrevo, porque sou desse tipo de gente que mais escreve do que diz. E porque só tenho essa chance. E porque quando se escreve tudo que não se tem é perdão de si. Absolvição de si. Tudo que se tem, entretanto, é a si somente, e hoje eu preciso de mim. Eu sei que Clarisse não entende, eu até poderia explicar pra ela, mas é silêncio, não é segredo, não é secreto, mas é silêncio.

Algumas revelações podem ser muito cruas e cruéis, Clarisse, quanto tempo depois vem a remissão? Minha confissão será, tão somente será, meu sentimento, pois bem como no amor, tudo que tenho é a entrega.

Acrobata de Vidro

Um comentário:

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fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...