Sobre o que não vivi

Pela primeira vez, tive medo. Medo de que não conseguisse mais chorar quando um filme extremamente exagerado sobre o amor começasse na TV. Medo de que não existisse mais em mim sensibilidade para as palavras que causam arrepios. É ruim sentir medo.

Agoniada, no momento estagnado em minhas mãos, não soube o que fazer. Fechei os olhos esperando acordar de mais um sonho, esperando a insônia que me mantêm lúcida. Abri os olhos. Ainda tinha o momento em minha mão, porém o tempo tinha escorrido, transposto os dedos, me mostrando que não tinha uma vida toda para sentir medo.

Nostálgica, dos momentos que me recusei a viver, chorei. O medo e a angústia não existiam mais. Existia uma garotinha, perdida no mundo, sem receio de estar perdida e sem a ânsia de ser encontrada. Havia em mim sentimentos que estavam adormecidos. Despertei-os e sorri. Não há tempo para não ser feliz.

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