Sabe, talvez não haja mais palavras a serem ditas entre nós.
Depois de alguns encontros e muitas perguntas, eu precisei
te confessar: hoje eu não estou bem. É que há dias que sentir os sentimentos
que o mundo me causa é pesado demais. Os joelhos fraquejam, as mãos doem, o
estômago grita e os olhos pesam tão profundo a alma que me sinto sufocada em
mim. Tento ler algumas frases e as largo pelo caminho.
Você insiste: “é preciso olhar para dentro e não tentar
mudar o outro”. Eu tento me agarrar as suas palavras e você tenta me segurar
por esse fio muito frágil que hoje é minha esperança. Muito egoísta que sou
penso se o seu maior medo é que, antes que meu fio se rompa, eu o corte. Eu te
questiono: como se manter lúcida? Eu já sinto que não há nada que possa ser
feito para salvar o insalvável.
Você ri e respira fundo. Desde que você não possa ver minhas
pernas tremendo, minhas unhas de cutículas reviradas e mãos que não largam o
cabelo, eu consigo trazer a superfície verdades que afundei dentro de mim por
uma vida inteira. Você me encoraja. “É muito importante isso que você disse”,
mas eu já nem lembro mais quais foram minhas orações.
Há um ano atrás eu te disse que minhas palavras vinham
acompanhadas de lágrimas, quase sempre.
Estava pronta pra dormir, mas precisei ligar o computador
porque essas linhas precisavam ser suas mesmo sem que eu soubesse que te escreveria
ou porquê. Hoje foi um dia perdido pra mim. Você diz que não devo me cobrar. Eu
te digo que se eu não me cobrar endoideço. Você refuta: se você se cobrar, se
endoidece também.
“Você sente por demais. Porque não consegue se olhar com o
carinho que olha ao outro?“
Eu não escuto mais o relógio pulsando no ritmo do meu
coração. Não lembro a cor do seu sofá e criei a mania de conversar com você com
um caderno em mãos para anotar as coisas importantes que preciso levar para
outras vidas.
Na ânsia do tudo, fico com as mãos atadas e esses
sentimentos são tão meus que parecem nascidos comigo. “Você não pode prescindir
isso e aí parece que quando você falha, acabou ali”
Se esse sentimento me definiu a vida toda a ponto de ser tão
meu quanto o sangue que corre em minhas veias, como eu driblo o medo de errar?
Às vezes me sinto paralisada e esta é uma das coisas que
ainda não consigo te dizer.
(...)
Vamos ficar por aqui?
Nenhum comentário:
Postar um comentário