Quando comecei a escrever,
antes mesmo de entender o poder que as palavras possuem de me tornar imortal - mesmo que o desejo de um escritor seja ser eternizado entre teus versos - o nome que eu tinha para meus textos era “O egoísmo de escrever minhas palavras”.
Hoje, fui confrontada com naturalidade sobre minhas prioridades perante a vida
e dentro de mim todas as verdades se estilhaçaram. Em que momento me priorizar
se tornou este fardo dolorido de ser levado?
Não se desculpe. Não me
desculpo.
Estou em busca da maneira
de me manter viva, de manter as palavras escritas e os sentimentos sadios. Eu
te digo que odeio o frio em minhas mãos, os dedos cálidos, roxos e endurecidos.
Você gosta do frio que entra trazendo o motivo perfeito para acender o cigarro
e esquentar mãos e boca.
Em alguns momentos eu respiro
fundo e chego à conclusão que o grande vilão da minha história é a bondade. Eu
acredito demais na empatia que move o mundo como se todos fossem capazes de se
colocar no lugar do outro a ponto de se perdoar. Você finge não saber o que
sabe para fazer o que faz, como uma forma de se esvaziar da culpa eminente.
Sigo catando todos os erros dos outros como
quem limpa a rua do lixo deixado madrugada a fora pelos bueiros nas esquinas.
Não mais.
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