Já não ouso reverberar as
palavras que carrego em mim. Há o profundo medo que, no vazio do meu coração, o
eco devolva a minha solidão.
Sempre me questiono o porquê de
estar em constante partida. Você, com o olhar atento a quem sou, me questiona o
porquê de resolver ficar. Eu me movimento feito maré, entre avançar na areia
fina e me recolher no oceano atrás de mim, faço da vida algo a se celebrar.
Ando impaciente com os sentimentos que carrego. Dentre todos os por quês, qual a
irremediável pergunta?
O que eu faço com este coração
chagasiado quando não há cura para o incurável? O que de fatal carrego em
minhas mãos e olhos?
A luz incide em minha janela e
eu cubro os olhos inchados.
É exaustivo me importar demais.
Talvez seja essa minha mania de querer ser profunda em tudo. Talvez seja a perda
do olhar poético que me escancarava a beleza do universo. Talvez seja a perda da
beleza que assola o olhar poético sobre o mundo.
Eu sei que tudo que possuo é a
entrega àquilo que acredito.
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