comiseração - dia 1


Já não ouso reverberar as palavras que carrego em mim. Há o profundo medo que, no vazio do meu coração, o eco devolva a minha solidão.
Sempre me questiono o porquê de estar em constante partida. Você, com o olhar atento a quem sou, me questiona o porquê de resolver ficar. Eu me movimento feito maré, entre avançar na areia fina e me recolher no oceano atrás de mim, faço da vida algo a se celebrar. Ando impaciente com os sentimentos que carrego. Dentre todos os por quês, qual a irremediável pergunta?
O que eu faço com este coração chagasiado quando não há cura para o incurável? O que de fatal carrego em minhas mãos e olhos?
A luz incide em minha janela e eu cubro os olhos inchados.
É exaustivo me importar demais. Talvez seja essa minha mania de querer ser profunda em tudo. Talvez seja a perda do olhar poético que me escancarava a beleza do universo. Talvez seja a perda da beleza que assola o olhar poético sobre o mundo.
Eu sei que tudo que possuo é a entrega àquilo que acredito.  

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