Flutuações - Dia 3



09 de julho do ano que você já sabe qual.

Hoje foi um bom dia. Devemos celebrar. Ontem foi preciso me recolher e estar no silêncio. Sobre amanhã, o que me resta é a coragem.
Se até a tristeza possui seus momentos de euforia quem sou eu para duvidar dessa felicidade que assustadoramente transborda nossos medos?
Eu te digo com tal sabedoria que só consiste ter a mim que vivi o que eu vivi e experimentei a vida da forma que me foi imposta. O fim é mais revelador que o começo. Esse desespero em não deixar o vazio entrar entope meus poros impedindo que suas lembranças me escapem feito suor. Quando foi que descobri que eu tinha dois pulmões? Foi em meio as suas palavras que me deixavam catatônica em frente ao computador sem saber o que fazer com tudo que me era entregue. Você já era alguém que eu ainda almejava ser e eu sempre achei por demais bonito o teu jeito decidido de saber o que esperar da vida mesmo quando confessávamos estar sem o chão sob nossos pés.
A cada minuto uma pessoa descobre sobre o amor. Era sua forma de trazer a realidade do outro pro cotidiano. Neste segundo alguém experimenta a morte. Era minha forma de encontrar a solidez do mundo, a forma bruta como a vida nos era entregue.
O amor não é a resposta para todas as perguntas universais. Ele é o grande xis da questão. A questão perturbadora que poucos tem a ousadia de confrotar.
Eu prometi te entregar minhas palavras, mesmo que estas venham ao final do dia junto com meus olhos pesados e ombros doloridos. O desespero pode ser aquela luz no fim do túnel.
Não te entrego meus versos parnasianos. São 21:18 de uma quinta-feira em que eu falhei no meu único propósito: reclamar menos e agradecer mais.
Eu te questiono: como tornar a vida algo a ser vivido se em alguns momentos tudo que consigo desejar com tamanha sinceridade é a morte?
É que algumas vezes o preço de viver é alto demais.
Você ri dos meus aforismos cotidianos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

felicidade sóbria

fazia tempo que não sentia os pensamentos correrem livres entre meus olhos, por dentro de minhas narinas, passando pela minha boca, atravess...