Em minha lápide quero que escrevam: viveu a vida por completo.

Mesmo que o mundo acabe amanhã, mesmo que eu não viva por mais uma noite, posso te garantir que vivi a vida por completo.

Primeiro por – finalmente! - me permitir os sentimentos que chegam e vão. Estar vulnerável me fez viva e, assim, reconheço as oportunidades que deixei por tempo demais passar por mim sem que eu as tocasse.

Segundo por me respeitar quando pareço não caber no mundo, quando é pesado demais carregar as lágrimas, quando faço dos sentimentos, palavras para conseguir organizar o caos que se forma dentro de mim.

Terceiro por acolher todas que fui quando precisei ser, todos que vieram e permaneceram, vieram e se foram. Porque entender que tudo tem seu fim me permitiu a dádiva de me despedir sem a dor de acreditar estar em posse de alguém e, assim, possuir a essa pessoa também.

O destino manda, mas não obedeço. Tenho a urgência das palavras e a vida que pulsa em meus dedos.
Uma vez me disseram que faço dos meus escritos, espelho e neles me reconheço. Me falaram do sorriso ao enxergar o mundo que carrego em minhas mãos mesmo que eu não saiba o que fazer disso.
Eu agradeço. Porque descobri que meu espelho são as palavras e nunca foi tão lindo ver meu reflexo assim! Porque reconheci as construções em mim quando eu só enxergava os destroços.
Tudo sempre caminha para o fim, não? É no caminho que a vida está.

É urgente. - te afirmo.  Só tenho o resto da vida pela frente.

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