Conjecturo o passado. Vencemos nossos medos, cicatrizamos feridas e traçamos os caminhos impossíveis. Você tão impertencente hoje com sua família e filho. Eu, tão inconstante, presa nos sonhos futuros.
É que somos vítimas de nós mesmos. E mais ninguém.
O tempo é essa coisa intangível que não vemos correr mas
sentimos passar por nós. Tenho vivenciado o peso do envelhecer, logo eu, que
sempre fui uma entusiasta da vida passante. Tenho andado aflita com a poeira que
tento limpar sob todos os meus dedos. Com as marcas que meus pés deixam no chão
envelhecido quando visito o passado. Se o tempo fosse a cura de tudo, talvez
fosse menos assustador me tornar quem eu sempre quis.
Me faço distraída por precaução. Para que a vida ainda
surpreenda independente do quanto eu viva, para que o novo ainda se faça
presente. Escrever é essa ferida que salva. O tempo passa e nos eternizamos.
Nos casos, nas risadas, no cativo.
As minhas palavras, mon amí, que são a única coisa que tenho de meu e não pode passar, ainda que eu ou qualquer tijolo vire pó.
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