É preciso lembrar que mesmo o que está vazio, cheio de algo está. Como os balões que sobem sem destino.
Os bares estão cheios de pessoas sem alma.
Eu, a mulher com um espelho no lugar de rosto, reflito o descaso. Um dia acreditei que o destino independia de nós. Hoje culpo a cada pessoa que me levou ao destino que me foi imposto.
Não existe amor no paraíso.
Anos depois, ainda me incomoda a força abrupta da casa amarela no meio da cidade cinza. E eu choro. Porque de tão insignificante, no meio de tantas construções, fumaça e poluição, aquela casa resiste. Talvez hoje - e não dia 17 de novembro de 2019 - eu tenha descoberto a tristeza. Talvez no dia que me confrontei com aquelas paredes amarelas eu tenha descoberto a força.
Houve um tempo em que tudo era infinito e que o mundo todo poderia ser tocado.
Hoje, eu não sei, darlin'. Eu não sei.
Belo Horizonte. 2020.
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