É que todo sentimento se estilhaça dentro de mim e eu tinha tanta coisa para te dizer e para concluir e então me desfazer e nada fiz senão chorar. Ocupo a mente para não pensar em todas as coisas não ditas que habitam o campo do imaginário, onde construo fortalezas e derrubo pontes.
Eu sou esse ser urgente, entende? Você me conta que, algumas
vezes, não agir é o que se pode fazer de mais seguro, mas nos movimentos
bruscos da vida é onde me lanço. É urgente estar em movimento mesmo que eu não
enxergue muito bem para onde.
Eu respirei. Um ar pesado. Os olhos fadigados e um coração
que não aguenta mais sentir. Eu esperei viver muita coisa neste ano enfadonho.
Cá estou eu, reaprendendo um luto que talvez nunca tenha experenciado de fato e
aceitando o fluir da vida que desagua.
Estou mesmo?
Sinto uma angústia dolorida em meus dedos que deveriam
escrever textos sobre o passar do mundo pela janela do ônibus. Mas é que não há
vista que me faça enxergar nada além do que trago dentro de mim. O mundo está
muito distante de onde me encontro. Já não sei as cores das árvores em meu caminho,
o som dos pássaros enquanto acordo, o cheiro das ruas pelas quais ando. É
apático meu estar presente, de uma forma assustadora demais para quem se
acostumou a sentir muito o tempo todo e viver o experienciar cada segundo do espaço em que habita como se fosse um museu de si mesma e de tudo que se esbarra
em sua existência.
Eu queria te dizer que sinto muito, mas é que eu não sinto
nada e ao mesmo tempo doem minhas costas de tanto sentimentalismo. Me questiono
como um corpo que sofreu tanto ainda suporta a vida que carrega.
Talvez o amanhã não seja urgente e o controle sobre vida não seja
este punhal em minhas costas.
Hoje, só me cabe chorar.
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