Tomo um banho quente demais para essa pele ressecada que me compõe há 26 anos. Deixo a água quente cair contra o azulejo frio vendo a fumaça tomar conta do banheiro e de mim, como se me escondesse de todos os pensamentos que carrego dentro dessa cabeça que vive apavorada. Desde a primeira vez que chorei copiosamente sem entender o porquê das lágrimas caírem, aprendi a respirar no tempo certo como se abrisse um leque dentro de mim para mandar embora qualquer coisa que viesse para roubar meu ar. O que não aprendi ainda foi a calar esses demônios que carrego dentro de mim, me fazendo enxergar todos os piores cenários possíveis em qualquer mínima situação que faça o controle sumir das minhas mãos.
Deixo as lágrimas caírem, respeitando os sentimentos aflitos
que me dominam. Essa será uma noite em que sentirei o tempo pesado e estático
no ar como se o mundo passasse por mim antes que eu pudesse piscar. Todos os
pensamentos acelerados que me deixam aflita me fazem culpada também. Só de
pensar sobre o caos é como se eu o tornasse mais que factível, uma imposição
sobre o presente. E então me sinto culpada por pensar pensamentos que tento afastar
com esforço sobrenatural.
Parece que carrego o mundo nas costas. Não, carrego meu
coração.
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