A sentença: mas você, bem... é você.
Eu, que resido nas perguntas que não me faço e nos
sentimentos que não sinto e nas palavras que não reverbero.
De repente, todas as palavras que podiam ser escritas haviam
sido. Eu que sempre precisei fazer algo com os sentimentos fiquei de mãos
vazias. Roubaram-me me as palavras. Não. Roubaram-me de mim. O que me sobrou
para fazer com os sentimentos?
Bem, senti-los.
É que eu nunca fui muito boa nisso de sentir sentimentos.
Pelo contrário, este foi um dos hobbies que abandonei pelo caminho ao longo dos
dias. Sempre fui, mais que pronta, adiantada em transformar o sentimento em
ações. E em palavras.
O que faço com as lágrimas que carrego nesse peito e a com a
ansiedade que reside em meu coração?
Nada.
Encaro meu caderno de palavras soltas e desenhos feios - feitos
enquanto o silêncio paira entre nós porque ainda não sei dizer as palavras que
precisam ser ditas - procurando pela resposta, mas a resposta está na sua boca
de dentes brancos e lábios finos que finjo não ouvir. E você repete. E repete.
E repete.
É que eu sou muito teimosa em admitir que talvez eu precise
recomeçar. Recomeçar significa dar fim em algo e bom, você sabe muito bem que
ainda não aprendi como transformar os fins que carrego em mim em começos.
Onde ancoro meu coração?
É a pergunta que havia me feito. Eu me sinto sobrecarregada,
como aquele palhaço de circo que precisa ser malabarista e equilibra em suas
mãos mais coisas do que deviam. Meus olhos estão fadigados e meus dedos pesados.
Porque insisto em sentir o futuro antes da hora?
Como você sabe as respostas para as perguntas que ainda não
ousei fazer?
Mas você sabe. Mas eu sei.
Tenho tentado acolher o que é meu. As lágrimas, o sentir por
inteiro, tateando os limites que ainda não consigo enxergar.
A felicidade as vezes parece castelo de areia construído na
beira da praia em dia de maré cheia. Eu sei que vai desmoronar.
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