Quando, dia 5 de outubro, escrevi que Nada mais efêmero que o agora.
Hoje fazem cinco dias. Cinco dias
que o choro me pegou desprecavida durante um dia ensolarado e bonito. Cinco
dias que não consegui lidar com o cotidiano e senti inveja em como a vida de
todo mundo continuou enquanto na minha havia um buraco que permaneceria pra
sempre. De pá em pá o encho de saudade, mas ele permanece. É que faz dias me
pediram resiliência. Como ser¿ Sigo tentando.
Minha avó chora e as vezes briga.
É que ela disse que ninguém está preparado para perder um filho saudável e que Deus
sabe que quando ela pergunta ‘’Porque?”, ela não está pecando, está buscando
sabedoria. Mas, Deus, por que?
Aqui somos casas de pares e você
abriu uma cratera sem nenhum aviso prévio. Porque?
Uma pessoa que reúne duzentas
outras para velar sua ida. Porque?
Nesse momento estamos todos
ajoelhados, catando os pedacinhos espalhados pelo chão, sabendo que sempre
faltará um.
Eu que sempre escrevi sobre a
saudade e os fins, não soube como sentir a falta dela. Eu nunca vou saber. E, por
isso, eu já consigo me perdoar.
A dor passa, a saudade fica, as
boas memórias, como as mensagens e ligações que você me fazia até eu te
responder que estava tudo bem e não precisava se preocupar. Como o biquíni pra
minha primeira ida a praia, as viagens de carro, os pratos prontos do almoço de
quando eu chegava da escola, a risada alta, os picolés na beira do mar, as
dicas de beleza e produto, o café aguado e doce que você fazia, quando sai da
sua casa para a prova da faculdade, limpando o molho vermelho do macarrão que
você fez correndo pra gente não sair sem almoçar. Mamãe contou que, depois do
meu pai, você foi a primeira pessoa a me ver. Entrou escondida quando o médico anunciou
minha chegada e depois disso são tantas fotos e vídeos revelados por você, na
sua casa, no seu colo.
O que eu
faço com toda a presença que você ocupava?
Eu ainda não sei. Por aqui, nos
agarramos no espaço que você ocupava na gente tentando nos reerguer um ao outro.
Me surpreendo com as novas
lágrimas que surgem.
Estas não serão as últimas
palavras para você.
Sem palavras... Te amo!
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