A minha solidão é perigosa. Enfim, conclui.
Sentada naquele sofá desbotado,
com a fresta de luz que entrava pela janela denunciando toda a poeira que
dançava vagarosamente no ar.
A minha solidão é minha maior zona
de conforto e me afasta de qualquer amor. Finalmente, o clarão. Você não se
vira, por que já sabe... assim como eu sei que sorri mesmo que eu não te
encare.
É que eu deveria ter escrito todas
as coisas que precisava ouvir de você, mas tenho aprendido – algumas vezes a
ferro e fogo – que a vida não tem roteiro e que com certa frequência escapa das
minhas mãos.
É que eu acabo de descobrir que a
raiva é mais que tempestade, é alagamento e mofa tudo se não é escoada.
É que eu sinto raiva e mágoa e de
tanto sentir raiva e mágoa fui contando só comigo mesma até parecer muito bom
não precisar contar com ninguém.
Se a raiva alaga, a mágoa é arame
farpado. Machuco a mão enquanto me cerco para ninguém entrar. Mas também não
saio.
O que eu venho tentando te dizer -sem
script nenhum - além da minha coragem é que ando procurando maneiras de ser
de um novo jeito, mesmo que eu ainda não saiba como. Aprender a encontrar as
frestas de vulnerabilidade.
Como perdoar o que ainda não
trouxe à superfície?
Sigo mergulhando em mim, revirando
pedras, vez ou outra voltando para respirar.
Me descolo de tudo que eu fui tentando
me acolher no desconhecido.
Já não espero de você as respostas,
mas ouço atenta a todas as perguntas que serão bússola para encontrar essa pessoa
que procuro ser.
Desta vez não parto dessa sala em despedida, sirvo um café e acendo (finalmente) o cigarro. O compartilhamos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário