Há semanas ando com a ansiedade a
flor da pele. Aquele aperto no coração, olhos marejando com frequência e
sensação de que o corpo vai entrar em combustão a qualquer momento. Depois de
desenterrar tantos medos escondidos dentro de mim, comecei a encarar a maneira de me relacionar com o outro de forma numa e crua. Junto dessa
compreensão, vieram todos os anseios, enjaulados por anos, que eu fingia não ver,
mas estavam ali. Sabe quando você arruma a casa inteira, mas aqueles objetos que
você não pode jogar fora e não sabe o que fazer com eles acabam naquele
quartinho de bagunça? Pois é.
Abri meu quartinho, onde empoleirei meus sentimentos e situações
ruins. Comecei a retirar um por um, no meu tempo, a medida que dava conta. Até
chegar no medo da perda e do desamparo. A insegurança saiu enfurecida. Me
fazendo acreditar por um segundo que a qualquer momento eu seria abandonada por
todos que eu amava e, por isso, precisava juntar logo minhas coisas e sair o
mais rápido possível de toda e qualquer relação que escolhi estar. A
vulnerabilidade é fraqueza para a insegurança. Depois de alguns dias de terapia,
muito choro e a escolha consciente de não me movimentar, consigo escrever
sobre. A verdade é que ir embora é um movimento tão simples para mim, que
escolher permanecer me exigiu muita energia, porque travei uma batalha com o
medo. Venci, hoje. É um dia de cada vez.
Volto a reconhecer o carinho, as escolhas dos outros e que
estamos todos tentando dar conta de muita coisa. Ando tentando fazer as pazes
com os momentos que não permaneci, por não ter o autoconhecimento que construo
hoje. Tem sido difícil me responsabilizar por algumas perdas que temi tanto
acontecer.
O processo de se conhecer parece bonito, porque quando lemos
sobre só chegamos no final. Foram semanas de choro, de raiva, de
conscientemente e em voz alta me pedir para respirar fundo. Para entender o que
é meu e o que é do outro. Foram semanas na eminencia da perda. Esperando o
adeus e o vazio que fica no espaço que a outra pessoa ocupava. Me convencendo
que a ansiedade estava distorcendo (e estava mesmo) a realidade.
Ontem chorei pelo luto e também reconheci que não sou mais a
mesma e que me escolher muitas vezes significa abrir mão do outro.
Hoje, depois de muitos dias duvidando, me reafirmo que eu
mereço ser amada e que eu posso fazer escolhas erradas e decidir abrir
mão delas. Depois de titubear em uma
crítica de uma pessoa que não me conhece, eu respirei fundo e decidi escrever
sobre a fragilidade que habita em mim e que tenta me convencer que só poderei
ser amada quando for perfeita. Percebo, consciente, a insegurança vencida nas
minhas relações se esgueirar para o campo profissional, onde ainda dói muito...
Porque o fracasso por muito tempo não foi um direito ou premissa. Porque aprendi
a me agarrar a toda oportunidade como se fosse minha última chance de ser
alguém. Porque eu sempre espero estar pronta para tudo, como se houvesse
controle aí.
A ansiedade está aqui. A encaro sem saber muito bem quais
passos darei para que ela se desfaça, mas não a volto para o quartinho da
bagunça. A encaro. Aprendendo um novo jeito de existir sem temer o mundo por completo.
Nem a mim.
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